01:23 03/02/2021
hoje , nessa madrugada de quarta feira. estou escrevendo este texto para não perder o a linha de pensamentos que estou tendo neste momento.
A minha esposa me disse agora a pouco o quão arrependida e frustrada está com a nossa relação. e eu comecei a me questionar porque a imagem que ela tinha de mim está diferente agora.
comecei a voltar na minhas memórias procurando quando eu comecei a agir desse jeito que estou hoje, uma regressão do meu comportamento e estado mental à parâmetros de 2012. me lembrei que em vários episódios eu sentia a dor e frustração antigas e quis me recordar qual foi o estopim para eu voltar a ser a versão pior de mim.
esta versão minha de hoje está me sabotando, sabotando meus relacionamentos e minha saúde mental. eu sinto que estou carregando muita tristeza e rancor da Lilian, por não saber lidar com conflitos, eu acabo não verbalizando mais meus sentimentos e pensamentos, fico pedindo desculpas todas as vezes que cometo erros, que em alguns casos são muito graves e em outros são percebidos por mim como bobeiras, é, eu as vezes vejo exagero nas reações da minha esposa.
mas o que eu quero escrever não sobre isso mas sim porque eu tenho agido muitas das vezes como um sabotador do meu casamento. por vezes eu já quis desistir da minha união com a lili. eu sinto dor quando ela profere suas reclamações e insatisfações e essa dor eu não estou me deixando verbaliza-la. ela se percebe como uma chata por causa disso.
porque eu não falo as minhas reclamações e insatisfações? penso que eu deveria guarda-las para não magoa-la e danificar nosso convívio. cara, eu a amo demais e tenho pavor de perde-la. até me questiono se esse medo tão grande é por causa da minha carência excessiva ou se é por medo de criar a nossa filha em um lar de pais separados.
a única coisa que tenho certeza é que se eu permitir e me omitir por mais tempo, se eu não tirar esse peso que carrego criado por essas dores que sinto, o pior cenário se tornará realidade. até mesmo eu estar escrevendo isso aqui ao invés de conversar com minha mulher que dá medo de ser mal interpretado . voltei ao Elias covarde frustrado e acomodado de 15 anos atrás.
mas não quero ser aquele cara de novo. não serei! por isso quero registrar agora essas palavras que estão vindo a minha mente para que eu não as esqueça e possa lembrar do que devo fazer e dizer. primeiramente vou escrever aqui o que minha memórias me dizem sobre o inicio das dores.
na minha cabeça, isso que estou sendo hoje começa em 2018, quando passo pela situação traumatizante de trabalhar por dias no que eu chamei de projeto de revitalização do datacenter da ufrj. sinceramente, aquilo foi apenas eu tentando fazer algo que era esteticamente feio e disfuncional algo digno de ser elogiado. Esse era o sentimento que me impulsionou a realizar aquele trabalho suicida que acabou como uma falha completa afinal de contas, o resultado daquele esforço foi desastroso para a UFRJ e para a minha imagem perante meus colegas de trabalho. saí daquele evento mentalmente desestabilizado e com sequelas no meu comportamento que estão presentes até hoje.
por causa daquele evento, a minha cabeça só queria fugir de qualquer responsabilidade, isso está sendo refletido no meu inconsciente, fazendo eu fugir das responsabilidades e me fazendo me apequenar diante de situações de conflito. a falta de estabilidade mental fez eu assumir a atitude perigosa de ficar jogando no celular enquanto pilotava moto e fez eu não perceber a tempo o ônibus que saía de um ponto de ônibus, causando o acidente de moto que tive no dia da eleição do presidente. a atitude de estar jogando e negada por mim até hoje, essa mentira que conto marca o momento que minha relação com a Lilian começa a ser comprometida, eu vejo isso agora pois a minha fuga da verdade é causada pelo medo de receber a "punição" por estar jogando enquanto andava de moto. a mentira é pior que qualquer briga, grito, espancamento, etc. pois ela me consome. eu não admitir meu erro e cometo um erro maior para encobri-lo. minha mente se justifica alegando que o erro faria você perder o amor da minha vida. apesar de saber que ela tem certeza de qu eu estava jogando, admitir isso hoje creio que seria fatal pro amor que ela ainda tem por mim. isso faz meu peito ficar gelado como se uma faca de gelo me atravessasse.
só que esse acidente causou consequências para nossa relação no meu ponto de vista. acho até que a sensação de que eu morreria ali não era por causa da dor da queda. pensando agora, meu primeiro pensamento quando caí foi que eu tinha morrido no acidente. eu realmente devo ter morrido psicologicamente, ao menos a versão de mim que ela a minha melhor versão. por que digo isso?
de fato, senti nas minhas interações com a Cherry algo estranho. não senti que ela estava preocupada comigo como eu imaginava que ela ficaria. me lembrando daquela noite, eu me senti frustrado com ela pela primeira vez que eu me lembro. eu senti que o acolhimento e preocupação que ela teve por mim foi diferente do que eu tive por ela quando ela ficou internada. eu lembro dela preocupada em ir pra casa, perguntando se eu já iria ser liberado ou não pois ela precisava descansar por que tinha que ir trabalhar no dia seguinte....
aquela pressão que senti dela em querer saber se ela poderia ir ou ficar me marcou, lembro de pedir que ela esperasse, com um sentimento de que eu estava implorando para que ela ficasse. quando eu fui liberado, na volta para casa, eu sentia essa dor mental junto da dor física. uma dor frustrante de quebra de expectativa. É mais que obvio para mim e meu lado racional o quanto a minha mulher se preocupou, esforçou e sofreu por mim naquele momento e situação, contudo meu lado emocional me lembra nesse momento que escrevo isso que foi ali que minhas emoções por ela tiveram sua primeira fissura.
é uma avalição altamente tendenciosa essa que estou realizando agora. eu já havia cometido vacilos com a Lili antes daquele momento. só que, pra mim, até ali o meu coração somente adorava a cherry. era a primeira coisa que eu pensava em todos os momentos de acertos e erros que eu executava na minha vida. toda a vez que eu errava eu ficava desesperado pois eu estava errando com ela. por ela eu me dedicava de todo o coração em todas as coisas que eu fazia na vida.
A Lilian era minha deusa, inspiração e motivo para sempre buscar ser o melhor de mim a cada dia. Ali, na maca da emergência do Lourenço Jorge foi a primeira vez que me senti decepcionado e frustrado com a minha esposa.
o pior disso tudo é que eu estou sendo injusto com ela ao carregar esse sentimento até hoje e me frustro por causa disso. não é justo eu sentir isso mas eu sinto e por ser uma pessoa que não consegue disfarçar os sentimentos deixo isso influenciar meu comportamento. todas as outras frustrações e dores que possuo acabam sendo derivações dessa primeira fissura, fazendo chegar ao ponto de mentir pra mim mesmo ao dizer "eu te amo mais".
não Elias, o seu amor pela Lili é menor que o amor dela hoje. você mente para si mesmo. você hoje se sente triste e com raiva em vários momentos. carrega essa frustração nos ombros e faz a melhor coisa que existe na sua vida sofrer por causa da sua covardia.
eu sinto que não devo mais prosseguir com essa relação por causa dessa fratura que a fissura se tornou. a dinâmica do nosso relacionamento está quebrado, ela precisa ser reparava ou descartada. é incrível o quanto de bagagem 6 anos de relacionamento podem gerar. avaliando esses 6 anos e o quão gelado fica meu peito, fica obvio pra mim que a única opção existente pra mim é reparar.
eu lembro claramente o como me senti nesses 6 anos que estou com a Lilian. eu preciso, devo consertar as coisas!
02:57 03/02/2021 a Laura despertou a Lili, vou voltar pro lado dos meus amores agora.
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